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Carta de Porto Alegre

Aliança Gaúcha pelo Enfrentamento do HIV

Porto Alegre, 23 de maio de 2026

Nós, gaúchos e gaúchas, profissionais da saúde, ativistas, gestores públicos, entidades médicas, organizações sociais e cidadãos comprometidos com a vida, nos unimos para dizer que não aceitaremos mais que o HIV siga roubando futuros, ampliando desigualdades e silenciando pessoas no Rio Grande do Sul.

 

Vivemos em um estado marcado pela solidariedade, pela coragem e pela capacidade de reconstrução. É com esse mesmo espírito que escolhemos enfrentar uma epidemia que ainda machuca milhares de famílias, especialmente aquelas mais vulnerabilizadas pelo preconceito, pela desinformação e pela dificuldade de acesso ao cuidado. Sabemos que ninguém vence essa luta sozinho. O HIV não pode ser enfrentado com medo, julgamento ou indiferença. Ele deve ser enfrentado com ciência, acolhimento, união e humanidade.

Hoje, a ciência nos oferece ferramentas capazes de mudar o rumo dessa epidemia. Temos condições de ampliar a testagem para todas as pessoas, garantindo diagnóstico precoce e acesso rápido ao tratamento. Temos a possibilidade de expandir a prevenção combinada, incluindo preservativos, educação em saúde, PrEP oral e PrEP injetável de longa duração. Sabemos que pessoas em tratamento e com carga viral indetectável não transmitem o HIV. Sabemos que salvar vidas depende de acesso, informação e cuidado contínuo.

Por isso, assumimos juntos alguns compromissos fundamentais:

  • Levar informação de qualidade e combater o estigma relacionado ao HIV

  • Ampliar a testagem universal e o diagnóstico precoce em todo o estado

  • Garantir acesso amplo, digno e descentralizado à PrEP oral e injetável

  • Fortalecer o tratamento imediato e contínuo para todas as pessoas vivendo com HIV

  • Promover cuidado humanizado, livre de discriminação e preconceito

  • Integrar sociedade civil, serviços de saúde, universidades, entidades médicas e gestores públicos em uma resposta coletiva

  • Escutar e acolher as pessoas vivendo com HIV, reconhecendo sua dignidade, sua voz e seus direitos

Acreditamos que nenhuma pessoa deve ser definida por um diagnóstico. Toda vida importa. Toda pessoa merece cuidado, respeito e oportunidade de viver plenamente. A luta contra o HIV não pertence apenas à medicina ou aos governos — ela pertence a todos nós.

A Carta de Porto Alegre nasce como um chamado à ação e à esperança. Um compromisso coletivo do povo gaúcho com a vida, com a ciência e com o futuro. Porque somente unidos conseguiremos transformar a realidade do HIV no Rio Grande do Sul.

E porque ninguém pode ficar para trás.

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